Pausa para o jogo [Patrícia Dantas]
Pausa para o jogo
Os movimentos eram hábeis à sua volta, parecia mais um ritual da vida: homens que balançavam de um lado para o outro, faziam planos, bolavam estratégias, pensavam no futuro. Talvez o tempo real mesmo não estivesse ali, mas sim a sensação inóspita e afoita da realidade clandestina que roubavam das poucas horas do dia que lhes eram dedicadas somente para um descanso do corpo.
Falavam todos ao mesmo tempo, dando boas vindas aos que chegavam, sugeriam táticas do jogo, comentavam sobre os acontecimentos do final de semana e suas sensações presentes. O jogo que fluía como um espaço de lazer que fazia a diferença naquela parte do dia, tão evasiva e que integrava suas naturezas às limitações do universo em que viviam.
E, como as horas que corriam, disparadas contra o sossego daqueles jogadores e peças do jogo, a vida ia passando sem interferências, seguia seu curso livre, quase despercebida, mas não para mim, que anotava todos os movimentos atenta ao ritmo do tempo. A partida estava quase no fim. Minha hora e minha vida também, pois tinha deixado algo preso naquele lugar: minha observação sempre presente no indescritível dia a dia banal que aparentemente não tem graça.
Entre escrever, ouvir e observar como todas as entonações eram amigáveis entre eles, pude fazer um paralelo daquele ambiente com a vida: tudo possui sua intensidade, não importa de que lado se revele.
Patrícia Dantas - Amante da arte de escrever e descobrir nas histórias a construção das palavras.
Eles jogavam numa sala, espantados com a passagem veloz
do tempo. Estavam em seu horário do almoço e já planejavam mais um jogo naquela
sinuca que presenciara várias gerações de trabalhadores extasiados em sua
frente, não saberia calcular ao certo quantos anos estava ali e por quantas
cores, retaliações e vernizes passara. Unia as pessoas, os jogadores, os
transeuntes.
Os movimentos eram hábeis à sua volta, parecia mais um ritual da vida: homens que balançavam de um lado para o outro, faziam planos, bolavam estratégias, pensavam no futuro. Talvez o tempo real mesmo não estivesse ali, mas sim a sensação inóspita e afoita da realidade clandestina que roubavam das poucas horas do dia que lhes eram dedicadas somente para um descanso do corpo.
Descrevê-los, todos aqueles homens ali, de perfis e
personalidades tão diferentes e incomuns era uma prova psicológica em que eu
não poderia adentrar em mentes tão diversas. Não ouso pensar – não posso
invadir órbitas que não são minhas nem comprá-las. Seria uma forma de roubar-lhe
talvez a parte que faltava para uma vida completa, harmoniosamente entregue a
uma curiosidade vizinha e cúmplice. Poderiam nem saber o que desejariam para
seus próximos minutos, mas sabiam falar do que viam à sua volta – isto sim,
sabiam! Eu os presenciei! Confesso que eram histórias e casos corriqueiros,
nada a mais que pode balançar a mente em outras direções.
Falavam todos ao mesmo tempo, dando boas vindas aos que chegavam, sugeriam táticas do jogo, comentavam sobre os acontecimentos do final de semana e suas sensações presentes. O jogo que fluía como um espaço de lazer que fazia a diferença naquela parte do dia, tão evasiva e que integrava suas naturezas às limitações do universo em que viviam.
E, como as horas que corriam, disparadas contra o sossego daqueles jogadores e peças do jogo, a vida ia passando sem interferências, seguia seu curso livre, quase despercebida, mas não para mim, que anotava todos os movimentos atenta ao ritmo do tempo. A partida estava quase no fim. Minha hora e minha vida também, pois tinha deixado algo preso naquele lugar: minha observação sempre presente no indescritível dia a dia banal que aparentemente não tem graça.
Entre escrever, ouvir e observar como todas as entonações eram amigáveis entre eles, pude fazer um paralelo daquele ambiente com a vida: tudo possui sua intensidade, não importa de que lado se revele.
Patrícia Dantas - Amante da arte de escrever e descobrir nas histórias a construção das palavras.
Possuo, desde 2010, uma página atualizada no Recanto das Letras: http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=68582
Participei da Focus - Antologia Poética VII, pela Cogito Editora:
http://www.cogitoeditora.com/patricia-dantas-focus-antologia-poetica-vii/
Meu Blog: Intimidades de uma Escritora
http://intimidadesdeumaescritora.blogspot.com.br/
Portal BVEC (Biblioteca Virtual do Escritor Contemporâneo: http://www.portalbvec.net/Patricia_Dantas/
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Vem ai a ANTOLOGIA MUNDO, da Cogito Editora! Vou participar!!
Um brinde ao encanto das palavras!

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