MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, DE MACHADO DE ASSIS [Isabela Lapa e Kellen Pavão]

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, DE MACHADO DE ASSIS

A resenha desta semana traz para vocês o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis. 


Sinopse: É um dos livros que marcam o início do nosso Realismo. Um romance narrado em primeira pessoa, por um defunto, Brás Cubas, preocupado em rememorar os fatos mais marcantes de sua vida. Ele não só abre o seu íntimo, como também revela as dissimulações e as vaidades das pessoas que conheceu. Lembra a sua juventude ao lado de Marcela, seus anseios e as suas aspirações, as relações amorosas com Virgília, esposa de Lobo Neves e a teoria do Humanitismo, do filósofo maluco Quincas Borba.


Destaques: Antes de falar sobre o enredo, gostaria de fazer algumas considerações sobre a obra.  Apaixonei-me por este livro na adolescência quando fui apresentada a Machado de Assis em virtude de um trabalho escolar. Desde o começo a escrita irônica e crítica do autor me chamou a atenção e me encantou.  Infelizmente isto não acontece com todos que o lêem já que, na maioria das vezes, as escolas e professores acabam impondo uma leitura de algum grande autor antes dos  alunos adquirirem maturidade para interpretar obras mais complexas, e sem auxíliá-los a para compreender o livro, o que faz com que alunos saiam “traumatizados” da escola, adquirindo uma antipatia de certos livros ao invés de apreciá-los. Isto é tão comum que muitas pessoas nunca mais se dedicaram a ler algum autor nacional e alguns até perdem o prazer da leitura.


Sobre o livro, devo dizer que este grande sucesso de Machado de Assis já é diferente desde o começo, uma vez que o narrador está morto. Ele revela suas memórias póstumas, sob o seu atual ponto de vista (o de morto) e isto faz com que Brás Cubas se dispa de qualquer pudor para criticar a toda a hipocrisia da sociedade da qual fazia parte. Ele se vê livre das amarras e convenções sociais e dos jogos de interesses que o rodiavam, e se sente livre para criticar de forma ácida tudo aquilo que lhe incomodava em vida. 


Um dos primeiros representantes do realismo, Memórias Póstumas de Brás Cubas  não apresenta um enredo complexo e narra uma história até corriqueira, mas o que chama atenção mesmo é a escrita sofisticada, seu humor ácido e as críticas até então veladas de Brás Cubas. 


Esta narrativa póstuma faz com que a obra se torne ainda mais sincera, como se o autor tentasse provar a qualquer custo que uma vez que está morto, não se importa com as consequências do que diz. E através desta narrativa, Brás Cubas tenta mostrar que não fez nada de importante ou de significativo em sua vida. O que torna o livro interessante é a forma como Brás destaca sua insignificância e as dissimulações e jogos de interesses tão comuns na burguesia da qual ele fazia parte. 


Ao longo da história Brás demonstra que era um homem rico, solitário, meio rabugento e extremamente sarcástico. Seu cinismo está presente em suas narrativas, quando manda o amigo Quincas Borbas trabalhar por exemplo, sem que ele mesmo nunca tenha trabalhado. Este sarcasmo de Brás Cubas é responsável pelo humor negro do livro, tornando-o discretamente engraçado. 


O destaque está na forma como Brás narra seus romances e relacionamentos, sendo o primeiro com Marcella, e depois Eugênia. Depois Brás Cubas se decepciona com Virgília, pretendente que acabou se casando com outro homem. Ele envolve-se com Nhã-loló, mas a garota morre aos 19 anos frustrando os planos de casamento de Brás. Ao longo da vida ele encontra seu amigo de infância Quincas Borba e torna a se envolver (às escondidas) com Virgília que está casada.


Brás morre aos sessenta e quatro anos sem nenhum grande feito. No entanto, ironicamente Brás Cubas teve seu nome eternizado em  um dos maiores clássicos da literatura nacional. 


Citações:


"Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar..."


"Não acabarei, porém, o capítulo sem dizer que vi morrer no hospital da Ordem, adivinhem quem?... a linda Marcela; e vi-a morrer no mesmo dia em que, visitando um cortiço, para distribuir esmolas, achei... Agora é que não são capazes de adivinhar... achei a flor da moita, Eugênia, a filha de D. Eusébia e do Vilaça, tão coxa como a deixara, e ainda mais triste”.


"Trata de saborear a vida; e fica sabendo, que a pior filosofia é a do choramingas que se deita à margem do rio para o fim de lastimar o curso incessante das águas. O ofício delas é não parar nunca; acomoda-te com a lei, e trata de aproveitá-la."


"Não tive filhos não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. "



Isabela Lapa e Kellen Pavão – Administradoras do blog Universo dos Leitores, que fala de livros e de tudo que estiver relacionado a estes pequenos pedaços de papel que nos transferem do mundo real para o universo dos sonhos, das palavras e da felicidade!

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