Arnaldo Antunes lança segunda faixa do álbum ‘Disco’ [Carlos Albuquerque]

Arnaldo Antunes lança segunda faixa do álbum ‘Disco’

Com uma faixa por mês lançada no site, disco chega às lojas em outubro

Carlos Albuquerque


Nas férias, Arnaldo Antunes ainda pulsa. Entre passeios na Ilha Grande, no começo do ano, com os amigos Dadi e Marisa Monte, e uma viagem ao litoral do Uruguai com a família, ele conseguiu se desligar um pouco dos compromissos, das gravações, dos convites para colaborações e das turnês (dos discos “A curva da cintura”, gravado no Mali, com Edgard Scandurra e Toumani Diabaté, de 2011, e “Acústico MTV”, de 2012). Tranquilo e relaxado, o cantor e compositor resolveu, então, pegar o violão e... cantar e compor.

— Trabalho muito durante o ano por requisição externa, sejam parcerias, músicas para filmes ou qualquer outra coisa. São demandas excitantes, que não consigo recusar — conta ele. — E aí, quando entro de férias, fico livre de tudo e pego o violão por puro prazer. Não é que trabalhar nas férias seja um costume meu, mas às vezes acontece. Isso acaba alimentando um tipo de criação mais descompromissado.


Parceria com Marisa Monte

Como era de se imaginar, o resultado dessa labuta ensolarada foi um disco. Ou melhor, “Disco”, primeiro trabalho de inéditas do ex-integrante dos Titãs desde “Iê iê iê”, de 2009. O álbum chega às lojas em outubro, mas de mansinho: uma faixa em cada mês, em vez de tudo ao mesmo tempo agora. Esse traçado alternativo começou em junho, com a música “Muito muito pouco”, oferecida em streaming no site do artista (arnaldoantunes.com.br) e segue agora, com “Dizem (Quem me dera)”, no ar a partir de hoje. Até outubro, serão quatro aperitivos assim, sempre na primeira segunda-feira do mês, com as faixas sendo acompanhadas por pequenos vídeos, com depoimentos e making-of.

— Vivemos um momento de encruzilhada. A internet fortalece a ideia da música isolada, como se fosse um single, podendo ser compartilhada. Ao mesmo tempo, eu adoro o formato do disco, do trabalho pensado com uma unidade. Não pretendia gravar um disco novo este ano. Tentei, então, lidar com isso, com todo esse paradoxo, oferecendo essa pílulas de uma obra em andamento, em processo. Isso me permite também seguir em turnê e não ficar preso por dois ou três meses dentro de um estúdio.

“Muito muito pouco” serviu como abre alas desse inusitado caminho até “Disco” (que, como explica ele num vídeo colocado no site, traz um evidente jogo de palavras: “Já ouviu o disco do Arnaldo?”, brinca. “Que disco”? “O ‘Disco!’”). A música tem participações de Edgard Scandurra (guitarra), Curumin (bateria) e Marcelo Jeneci (sanfona), além de um arranjo de cordas (para um quarteto) feito por Ruriá Duprat, sobrinho do maestro Rogério Duprat.

— Edgard e Curumin já me acompanham há algum tempo, enquanto o quarteto de cordas foi uma coisa que agradou muito — explica ele.
“Dizem (Quem me dera)” mantém parte dessa formação, sem Scandurra e com a entrada em cena de um coro feminino, com a participação de Anelis Assumpção, filha de Itamar Assumpção. A letra, composta em parceria com Marisa Monte e Dadi, diz num trecho: “Quem me dera não sentir mais medo/Quem me dera não me preocupar/Temos inteligência pra acabar com a violência, dizem/Cultivamos a beleza, arte e filosofia”).

— Essa letra nós fizemos nas férias, e achei que tem um pouco a ver com o momento que estamos vivendo, com tudo isso que está acontecendo nas ruas, pelo jeito como ela lida com desilusão e esperança ao mesmo tempo — explica.

Elogio ao Daft Punk

Nas outras faixas, outros músicos vão surgir nos créditos, entre eles o guitarrista paraense Felipe Cordeiro.

— Tenho uma parceria com ele, que toca guitarra também — conta Arnaldo. — E tem um material gravado no Rio, com outros músicos, mas não posso dizer tudo agora porque iria esvaziar o conceito do disco.
Apesar do esquema pinga-pinga, ele acredita que “Disco” não vai perder a unidade de um álbum e se tornar, no final, um apanhado de singles.

— Boa parte desse repertório já estava esboçado antes, inclusive com algumas partes já gravadas — explica. — A novidade é poder trabalhar em estúdio espaçadamente. Nenhuma faixa vai sair do zero nesse período. O disco vai ter uma unidade, como se tivesse sido gravado de uma vez só.
Enquanto o seu “Disco” não se completa, Arnaldo vai justificando sua paixão pelo formato, curtindo outros em casa.

— Adorei o novo do Daft Punk, acho que ele faz uma síntese interessante da era disco — revela. — E comprei uma vitrolinha também, há mais ou menos um ano, na qual tenho escutado meus discos de vinil, que estavam esquecidos em casa.


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