Um pouco sobre o preconceito em torno dos best sellers. [Isabela Lapa e Kellen Pavão]

Um pouco sobre o preconceito em torno dos best sellers. 

 

Best Sellers são aqueles livros que conquistam um número alto público com poucos dias de publicação. Ocupam a lista dos mais vendidos, dos mais falados e dos mais desejados. Os escritores são convidados para entrevistas em jornais, rádio e televisão e inúmeras matérias sobre assuntos relacionados com a história do livro são divulgadas na imprensa.


A verdade é que apesar desse alvoroço enorme, eles sofrem um enorme preconceito da crítica e daqueles que por hábito ou estilo costumam se dedicar aos livros clássicos e com conteúdos específicos ou diferenciados. Já vi pessoas que se consideram "elite intelectual" por não lerem os best sellers. Elas costumam dizer que "não perdem o seu tempo com livros sem conteúdo e que foram feitos para vender". 

Diante de uma afirmação como essa eu me pergunto: qual livro não foi feito para vender? Penso que se o escritor tivesse a intenção de manter a história só para ele, certamente não teria procurado uma editora para publicá-la. 

A verdade é que um livro se torna (ou não) um best seller de acordo com o incentivo financeiro que recebe para se promover na mídia. Acontece que em regra os maiores investimentos são destinados àqueles que despertarão o interesse da maior parte da sociedade. Esse preconceito existe exatamente por isso! Porque em regra, por serem acessíveis eles possuem linguagem simples, enredo repleto de reviravoltas e estratégias típicas para prender o leitor. Exemplos óbvios são os livros do escritor Dan Brown, e as famosas sagas e trilogias voltadas para o público jovem, como Harry Potter, Crepúsculo etc.






No entanto, é inegável que não existem fundamentos razoáveis para sustentar tal preconceito. Isso porque, um livro é bom ou não de acordo com aquilo que visa transmitir e com o público que quer alcançar. Um best sellertem a função de entreter, de distrair o leitor. Logo, se alcança essa finalidade, certamente pode ser considerado um bom livro.

Ruim, aos meus olhos, é aquele livro que tenta passar uma mensagem e não consegue. Porém esse critério é extremamente subjetivo. Posso citar como exemplo a trilogia Cinquenta Tons de Cinza, da escritora E.L. James. Um recorde de vendas e de mídia, um sucesso entre o público feminino e também o masculino, mas que em minha opinião não atingiu a finalidade: não vi como um romance e as tentativas infinitas e cansativas de torná-lo um livro erótico não me convenceram em razão de todos os clichês que o rodeavam, trazendo uma enorme previsibilidade às cenas e aos diálogos. Eu considerei o livro péssimo, mas não por ser um best-seller e sim porque a história não me convenceu. 

Por outro lado, alguns livros que atingiram essa categoria são excelentes e se destacam pela escrita cuidadosa e inteligente. Entre os meus preferidos estão O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak e O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini.




Também é essencial mencionar que grande parte dos leitores desenvolveu o prazer pela leitura por meio de umbest seller da sua época. O alto número de vendas e os excessivos comentários acerca do enredo despertam o interesse pelo livro e consequentemente abrem o caminho para outros. Isso sem contar aqueles que fazem referências a clássicos literários e sem querer incentivam a leitura dos mesmos.

Outra afirmação que não é verdadeira é a de que quem se dedica a best sellers não evolui. É certo que os leitores são pessoas diferentes e por óbvio traçarão seus caminhos de formas diferenciadas. Pode ser que alguns fiquem apenas na leitura daqueles livros que recebam destaque da mídia, mas com certeza muitos irão se despertar para outros estilos. Quem sente o verdadeiro prazer pela leitura quer sempre mais. 

Alguns críticos do gênero costumam mencionar que as livrarias dão muito destaque aos best sellers e não incentivam leituras "inteligentes e de conteúdo diferenciado". Ora, uma pessoa que sai de casa com a intenção de ler um livro de Machado de Assis, Millan Kundera, ou uma grande obra de um importante filósofo não vai sair da livraria sem comprá-los para, no lugar, levar A Culpa é das Estrelas, do John Green ou Porto Seguro, doNicholas Sparks. A escolha é feita pelo estilo do comprador, pelos seus hábitos e as suas influências, não por meio das vitrines. 

E mais: eu não gosto de livros de auto-ajuda, então simplesmente não procuro esses livros, não gasto o meu tempo procurando informações sobre eles e menos ainda observando se eles recebem ou não destaque nas livrarias. Também não me considero melhor ou pior do que o público que se dedica a esse tipo de leitura, porque independente do estilo literário, penso que o que importa é ler. Ler sempre, ler muito e ler aquilo que gosta, aquilo que dá prazer. O conceito de bom e de ruim é relativo e pessoal. Varia não só do gosto da pessoa como também da fase que cada um está vivendo. 

Assim, melhor que se dedicar a preconceitos infundados é se dedicar àquilo que te satisfaz. Além disso, descobertas positivas sempre acontecem quando nos abrimos para outras possibilidades. Quem sabe você que só se dedica à literatura clássica e que transmite inúmeros conhecimentos não terá momentos de prazer e diversão lendo os romances leves da Cecelia Ahern ou os suspenses policiais repletos de mistérios e reviravoltas do famoso Harlan Coben? Para descobrir, só se permitindo!


Isabela Lapa e Kellen Pavão – Administradoras do blog Universo dos Leitores, que fala de livros e de tudo que estiver relacionado a estes pequenos pedaços de papel que nos transferem do mundo real para o universo dos sonhos, das palavras e da felicidade!

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