Et maintenant on va où? [Dy Eiterer]

Et maintenant on va où?

Agora pega esse seu colo que, eu um dia foi só meu e que emprestei para tantos outros que não souberam o que fazer com ele, e faze-o o seu ninho.  Aconchega nele não só sua cabeça, mas seus pensamentos, seus sonhos, tudo aquilo que ainda quer fazer e não sabe por onde começar. Toma esse colo como seu porto seguro, seu ponto de partida e de chegada. Faz dele a base para que possa sair, se aventurar e ter pra onde voltar.

Agora toma essa mão que estava em desatino, pensando que vagava em solidão e faz dela a sua companhia, seu fio condutor, seu apoio nas horas mais frias, nas noites mais escuras. Toma dela todo o carinho que puder escapar pelos dedos a enrolar em seus cabelos, a correr-lhe pelas costas largas e a contornar seu rosto, como quem desenha uma moldura para uma tela de encantamento.

Agora toma essas palavras que só podem sair de sua boca e explica-me para onde vamos. Diz-me que rumo tomaremos, ou faz melhor e brinda-me com suas histórias que já me parecem tão minhas, por mais que sejam de um mundo completamente alheio ao meu.

Agora ignora o tempo que corre lá fora, que faz com que o dia rompa a barra da noite e que o sol brilhe por trás das nuvens e explica-me como foi que nossos caminhos se cruzaram. Explica-me como minha estrada torta e sem sinais me levou para você, atalho ou desvio, caminho ou descaminho, por onde meus pés agora percorrem e se perdem em rastros de admiração tão sublime e repentina.

Diz-me em que lugar nossas almas já haviam se cruzado, porque nossos olhos apenas se reconheceram e brilharam no meu sem fundo de anseios e receios. Diz-me o porquê de eu achar que as letras de um livro, por mais distantes que estejam, se embolam e se encontram quando a capa se fecha e por quê eu tenho a certeza de que somos palavras de um mesmo livro.

Se puder, sem medo, revela-me como é essa magia de nos surpreendermos a cada dia com o novo que nos parece já ser conhecido. Mostra-me como andar sem temer o próximo passo, sem pensar no que estar por vir. Se puder, ensina-me a andar simplesmente pelo prazer de se trocar os passos, sem esperar chegar, mas tendo a certeza de que algo sempre está por vir.


Dy Eiterer. Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil. Edylane é Edylane desde 20 de novembro de 1984. Não ia ter esse nome, mas sua mãe, na última hora, escreveu desse jeito, com "y", e disse que assim seria. Foi feito. Essa mocinha que ama História, música e poesia hoje tem um príncipe só seu, seu filho Heitor. Ela canta o dia todo, gosta de dançar - dança do ventre - e escreve pra aliviar a alma. Ama a vida e não gosta de nada morno, porque a vida deve ser intensa. Site:Dy Vagando

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