O projeto # Leia Vinicius [Catraca Livre]

O projeto  # Leia Vinicius

Leia Vinicius é um projeto colaborativo em homenagem ao centenário do poeta Vinicius de Moraes, celebrado em 2013. Idealizado pelo site Catraca Livre, ele convida o público a uma releitura do “Livro dos Sonetos”, um dos títulos consagrados do escritor carioca.

Para participar, o leitor deve gravar em vídeo a leitura de um dos poemas do livro, disponibilizar o registro no YouTube e inscrevê-lo no formulário abaixo. Todos os sonetos estão disponíveis gratuitamente na página oficial dedicada ao escritor na internet: www.viniciusdemoraes.com.br.

O desafio do projeto junto aos leitores é lançar uma versão virtual da obra no dia 23 de abril, Dia Internacional do Livro. Na página leiavinicius.tumblr.com serão reunidas versões em vídeo dos 57 sonetos constantes na obra. A fim de inspirar novos leitores, os vídeos poderão ser vistos e compartilhados pela web a qualquer hora e em qualquer lugar.



A paixão poética, segundo Vinícius de Moraes


por Fabio Silvestre Cardoso


Vinícius Moraes foi o poeta da paixão. Essa constatação parece mais óbvia hoje em dia não apenas quando se observa o ensaio biográfico assinado pelo jornalista e crítico literário José Castello, mas, principalmente, quando os leitores travamos contato com sua obra: sua poesia, suas canções, sua maneira, poeticamente apaixonada, de ver o mundo.

Tal constatação, no entanto, não deve ficar somente no campo das impressões. É necessário que o leitor coloque-a à prova, testando para ver se, de fato, Vinícius é digno de ser o poeta da paixão. E os mais apressados logo vão recorrer à bossa nova para mostrar como seus versos e seu lirismo conseguiram alcançar a expressão perfeita no gênero que mudou o estatuto da canção brasileira. Sem medo do engano ou mesmo do exagero, é correto afirmar que o “poetinha”, como o chamava Antônio Maria, já tinha dado suas caras muito tempo antes dos idos da bossa nova: foi com “O Livro dos Sonetos” que Vinícius de Moraes mostrou do que era capaz com as palavras e com a imaginação.

A obra, que ora ganha releitura, merece ser vista com atenção porque seu conteúdo consegue articular a forma poética do soneto com os temas que seriam caros para Vinícius de Moraes ao longo de sua vida: sua tendência à melancolia, seu afeto incondicional às mulheres e um certo apreço pela natureza que o cercava. Isso é visível em seus textos mais famosos, como no “Soneto da Fidelidade”:

Que não seja imortal, posto que é chama/
Mas que seja infinito enquanto dure

Composto em 1939, esse fragmento seria muitos e muitos anos depois parafraseado e parodiado por grupos de música popular de várias matizes, mas a essência de um amor perene enquanto a chama dure curiosamente é uma ideia que permanece. Essa força da poesia de Vinícius é visível em outro texto, o “Soneto da Separação”:

De repente, não mais que de repente/
Fez-se de triste o que se fez amante/

E de sozinho o que se fez contente (…)

A ideia de separação aqui está vinculada à tristeza fundamental e que não podia (e mesmo hoje, com todos os avanços) não pode ser superada. E são esses votos que a poesia de Vinícius de Moraes insiste em renovar, mesmo que não esteja escondida ou condicionada ao som. Eis a grande vantagem desses sonetos: é possível apreciar a sonoridade mesmo que a música instrumental não esteja ali.

Eis a poética de Vinícius de Moraes.

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