TEM QUE EXISTIR O TROUXA...[Geraldo Trombin]


TEM QUE EXISTIR O TROUXA...

Amigo que é amigo (não colega!), quando um precisa do outro, faz o quê? Ajuda, é claro!

Certa vez – no final de 2001 –, quando trabalhava em Campinas, vi uma amiga transtornada, sem conseguir fazer direito as suas tarefas, tamanha a sua preocupação. Fui saber o que é que estava acontecendo: por falta de dim-dim (e pagamento), o seu telefone seria cortado no dia seguinte. Imediatamente me prontifiquei a socorrê-la, emprestando e transferindo, na mesma hora para a sua conta corrente, a quantia que precisava para sanar aquela dívida de vários meses. Ela me agradeceu dizendo que, assim que as coisas se ajeitassem, me devolveria tudinho, nota sobre nota. Não esquenta, eu disse, amigo é pra essas coisas!

No ano seguinte, muito abalado com a bombástica notícia que recebera, outro amigo me procurou contando que havia perdido o emprego, que tinha saído com uma mão na frente e outra atrás. E que estava precisando de uma forcinha: uma grana para comprar um micro (com impressora e tudo), pois queria começar o seu próprio negócio. Sensibilizado com a situação, prontamente preenchi o cheque (pré-datado), e ele veio lá de Campinas até Americana para pegá-lo. Quando as coisas entrarem nos eixos, devolvo tim-tim por tim-tim, completou. Vai na boa, falei, amigo é pra se guardar...

Lá se foram mais de dez anos, e parece que as coisas não se ajeitaram para ela e não entraram nos eixos para ele, pois até hoje ninguém me procurou para quitar o seu empréstimo. Ah! Fiquei sabendo o porquê: estão numa pindaíba de dar dó! Ela porque, após a minha saída da agência, havia comprado um Peugeot zerinho, zerinho e também um belo apartamento. Ele porque, depois de restabelecido, se casou (não me convidou), deu o maior festão e foi passar a lua de mel no Havaí. Coitadinhos!

Muito sábia a Dona Ana Venera, avó do amigo Adalberto, que sempre dizia: – Beto, tem que existir o “trouxa” pro malandro sobreviver!



Geraldo Trombin, publicitário, é colunista do blog ContemporArtes e colaborador do jornal “O Liberal”, de Americana/SP.
Lançou em 1981 “Transparecer a Escuridão”, produção independente de poesias e crônicas, e em 2010 “Só Concursados - diVersos poemas, crônicas e contos premiados”.
Tem classificações em inúmeros concursos literários realizados em várias partes do país e também em Portugal, além de trabalhos publicados em jornal e diversas antologias.

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