Festas, leituras e prêmios o ano inteiro [Holger Heimann]

Festas, leituras e prêmios o ano inteiro

por Holger Heimann

A Alemanha é um país onde a leitura ocupa um espaço central, sobretudo no que se refere à leitura em público. Munidos de livros novos, escritores atravessam o país em todas as direções, lendo suas obras em livrarias, casas literárias e festivais, para um público de ouvintes ávidos. Casas literárias estão espalhadas por todo país, sempre mandando convites para leituras e debates.

Na Alemanha há mais de 50 festivais literários, ou seja, praticamente todo dia alguém está sendo convidado para festejar o texto escrito. A maior festa literária da Europa ocorre anualmente em Leipzig, na primavera, como parte da Feira do Livro. Em 1992, a festa começou com 80 autores e 160 leituras, em lugares inusitados, como no tribunal, no zoológico e na estação de trem. A ideia cresceu: hoje 2.800 eventos e 2.900 participantes em 365 lugares é o saldo total desta Festa da Leitura. Graças ao sucesso,  surgiram projetos similares, atraindo o grande público para outras cidades. E a ideia de convidar para leituras em lugares inusitados acabou virando moda (por exemplo, apresentar o novo livro de um escritor policial na sala do tribunal). Hoje em dia, autores de best-sellers chegam a encher estádios, tranformando a leitura de suas obras em uma verdadeira performance de grupos musicais.

Quase toda cidade grande gosta de se enfeitar com literatura. Mas nenhuma delas reagiu tão rápido e de maneira tão decisiva à demanda do público como Colônia. A Lit.Cologne, que aconteceu pela primeira vez em 2001, atrai público ano após ano, em março, trazendo grandes nomes da cena literária internacional.  Da última vez foram mais de 90 mil visitantes em mais de 200 eventos. A grande participação inspirou os organizadores a fundarem um festival paralelo de filosofia: a phil.Cologne. A idéia principal é trazer a filosofia para o seio da sociedade e instigar questionamentos filosóficos.

Outro festival animado é o de Hamburgo, no Norte do país. Todo ano, em setembro, o cais de Hamburgo é o ponto de encontro de autores nacionais e internacionais do mundo inteiro. No Harbour Front são apresentados  ao público cerca de 80 eventos de todos os gêneros. Também no mês de setembro acontece o Festival Internacional de Literatura de Berlim. Sem dúvida é aquele que lança um olhar mais abrangente sobre a literatura global.  A ênfase deste festival está no desenvolvimento da prosa e da poesia contemporânea no mundo inteiro. Em todos os eventos os autores leem trechos de suas obras na língua materna, em seguida é feita a leitura da tradução em alemão. Este ano, o discurso inicial será proferido pela escritora Taiye Selasi, de origem africana e que reside em Roma.

A Feira de Livros de Frankfurt (Frankfurter Buchmesse) é o encontro mais significativo do setor livreiro internacional, marcado por intensas relações comerciais. Em nenhum outro lugar o intercâmbio entre editores do mundo todo é mais intenso. Correndo em  paralelo com a Feira, há um grande número de eventos literários acontecendo em Frankfurt. Entre eles, o Open Books tornou-se o mais importante, com 100 leituras. Há também muitas possibilidades de descobertas no campo literário. Sobretudo através da programação ‘Convidado de Honra’, que permite apresentar um país ou uma região todo ano, fazendo dele o centro das atenções do público e da mídia.

Ao lado de formas literárias já estabelecidas e apresentações de autores, os palcos de Poetry Slam ganharam impulso a partir dos anos 90. Desde 1997 há campeonatos de Poetry Slam em cidades alternadas. A estreia foi em Berlim, e este ano a anfitriã será uma cidade universitária. Os campeonatos de Poetry Slam têm um imenso magnetismo, e os vencedores, como Bas Böttcher e Michael Lentz, são considerados escritores renomados no país. Mundialmente, o cenário da Poetry Slam da Alemanha só perde em tamanho para o de língua inglesa.

Outra prova do imenso prestígio que a literatura goza no país são os inúmeros prêmios concedidos aos autores. Na Alemanha somam-se mais de 400 prêmios literários. O mais significativo de todos é o Prêmio Büchner. Foi concedido pela primeira vez em 1923, em homenagem ao escritor Georg Büchner (1813-1837), e premia autores por trabalhos e obras dentro da literatura alemã. Entre os ganhadores do prêmio estão: Peter Handke, Hans Magnus Enzensberger, Felicitas Hoppe e Martin Walser. O prêmio de € 50 mil, que este ano será entregue à escritora Sibylle Lewitscharoff, é também um dos mais generosos da literatura para escritores alemães, juntamente com o Prêmio Joseph Breitbach.

O Prêmio de maior repercussão nas vendas de livros é sem dúvida o Prêmio do Livro Alemão, que foi concedido pela primeira vez em 2005 e que segue o modelo britânico do Booker Price. Entre os vencedores estão Uwe Tellkamp, Eugen Ruge e Melinda Nadj Abonji. Seus romances premiados atingem impressões numerosas e são solicitados no exterior com frequência.  Enquanto o Prêmio do Livro Alemão costuma ser concedido na abertura da Feira do Livro em Frankfurt (muito embora o vencedor só seja revelado no último momento), a entrega do Prêmio da Paz do Editorial Alemão marca o fim da Feira. Receberam esta premiação, de grande alcance internacional: Max Frisch, Octavio Paz e Susan Sontag, entre outros. Este ano a homenageada será a escritora ucraniana Swetlana Alexijewitsch

O Prêmio da Feira do Livro em Leizig, também de grande efeito nas vendas, é dividido em três: um para uma obra literária, o segundo para um livro especializado e o terceiro para uma tradução.

O Prêmio tem como função escolher,entre a gama de novas publicações que aparecem no mercado alemão, aquelas obras de excepcional qualidade na literatura internacional e chamar atenção para elas. Este ano foram premiados o autor americano de origem nigeriana, Teju Cole, pelo seu primeiro romance Open City, e Christine Richter-Nilsson, pela primeira tradução do romance para o alemão.

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