Música e(m) Poesia [Anand Rao e Edelson Nagues]

Música e(m) Poesia


Anand Rao é músico, Edelson Nagues é poeta. Ou Anand Rao é poeta e Edelson Nagues é músico. Ou o contrário. Ou vice-versa. Ou versa-vice. Música e poesia são indissociáveis, amalgamadas na busca de algo além de nossa experiência chã. E a arte é necessária porque a vida em si não basta, já disseram. Como disseram que a poesia é inútil e a música é dispensável.

Assim desafiadas, a música de Anand Rao encontra a poesia de Edelson Nagues, gerando rebentos poético-sonoros fragmentados, pontiagudos, incisivos, repetidamente delirantes, em contraponto à realidade crua, por si mesma torturante. Tentativa de dissolução da proclamada inutilidade no delírio de esperança ainda possível.

Nas nove faixas do CD “ANAND RAO MUSICA POEMAS DE EDELSON NAGUES”, um mantra, uma novena caudalosa... Em “Caudal”, a estranheza do ritmo cadenciado destacando o amargor do poema (“Estranho que sou, de mim. / Eles (o espelho que evito) / me cindem e me englobam. / Eles me são. Enquanto sangro / nas vagas da incompletude.”), que sangra, sangra, sangra em acordes dissonantes pontuados pela voz precisa do cantor. Em “Contrapontos”, a repetição claustrofóbica de palavras sobrepostas, à guisa de um hip-hop estilizado, cria o efeito elíptico de conceitos que se (des)constroem continuamente, contrapondo o vazio da belicosidade global à possibilidade mesma da sublimação pela poesia (“Se bomba / o poema /[...] se espada / a palavra / se granada / a sílaba / se bala / a letra / se ódio / o hiato / [...] se anátema / a metáfora / se fanático / o anacoluto / se cadáver / a linguaviva”). “Em vão” trás uma melodia melancólica, sustentada por teclado e violão, com arranjos vocais sampleados, que pontuam a dor expressa no poema (“Nas fotografias / do menino alegre / e do homem triste / procurei / em vão / o elo perdido // do eu.”). “Noturno” e “Noturno de rua” expressam o isolamento do homem hodierno, perdido em um vagar solitário (“Sob a sacada / um grilo / grita / minha in- / signific / ância” e “O silêncio está nos homens. // Somos, todos, ruas / noturnas e desertas.”). As melodias fragmentadas, sincopadas, refletem a sensação de um estar-no-mundo-não-estando. Já o poema “Reminiscências”, quando aponta para um alívio, com imagens de uma infância afeta a quase todos nós (“Meu pai deflorando a terra / com seu arado de luz. // Minha mãe cerzindo o tempo / com fios nascidos das mãos. // E os irmãos se balançando / pendurados nos dentes do dia.”), traz um fecho não menos angustiante (“Só não existe o menino, / que a cidade engoliu, / com seu hálito de enxofre.”), já anunciado nos arranjos iniciais, com sons distorcidos de teclado erguendo-se em muros de notas musicais que não permitem augúrios de fuga. “Resumo”, por seu turno, com um belo e impecável arranjo vocal e um som de catedral ao fundo, mostra que a liberdade é possível, desde que internalizada (“Não tenho nada a temer. / Por isso é que sou livre. // Não tenho tempo a perder. / Só vou aonde nunca estive.”). “Sob o viaduto” mais uma vez traz o homem em seu isolamento na metrópole (“Na solidez do concreto, / um músico de rua / canta / a Canção agalopada. // Em meu galope / sem rumo, / atropelo a música / e ultrapasso / o silêncio.”), tema recorrente na poética naguesiana. A música, ora melancólica, ora ritmada, marca o galope errante de um homem em fuga/busca de si mesmo ou a marcha modorrenta de um trem lotado de seres solitários. “Sobre o riso” (“O riso / é um risco / arisco / na cara / que se / mascara // [...] que vaga / qual vaga- / lume / e de sua luz / transpira / ora verdade / ora mentira”) é cantada sobreposta a uma base rítmica composta por vozes gingadas, em perfeita sincronia com a voz em destaque, a pontuar os versos ríspidos.

Tão inútil quanto toda expressão de arte, as músicas da parceria ANAND RAO & EDELSON NAGUES propõem um encontro com/entre a sensibilidade e a reflexão, introduzindo-se, com um corte preciso, no turbilhão do dia a dia.

Serviço

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Do CD Anand Rao musica poemas de Edelson Nagues

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