ESCRITORES: Entrevista com Luciane Rangel [Isabela Lapa e Kellen Pavão]


ESCRITORES: Entrevista com Luciane Rangel

Luciane Rangel faz parte da geração que conheceu e se encantou com a cultura japonesa, que até hoje vem se espalhando por todos os continentes. Aprendeu com a criatividade oriental a desenvolver histórias originais, cativantes e bem estruturadas que logo repercutiram pelos fóruns e sites de relacionamento da web.

Tem 28 anos, cursou Magistério no Ensino Médio, formou-se em Direito, hoje é professora e estudante de Letras/Japonês na UERJ. No final de 2010, lançou seu primeiro livro Guardians – Volume 1, pela Editora Lexia. A história conquistou muitos fãs e atualmente tem 3 volumes.

Conheçam mais sobre a escritora e os seus novos projetos:

1) Os seus livros são um sucesso entre o público jovem. Se inspirou em algum livro ou filme na construção da história?

Acho que tudo o que a gente lê, assiste ou vivencia acaba virando inspiração, ainda que indiretamente. Eu não consigo de fato citar uma obra que tenha servido como inspiração direta para Guardians, mas é inegável que veio da mistura de muitas coisas que li, assisti e vivi durante a vida.

2) Quando desenvolve os personagens, qual a sua maior preocupação: o final que dará para cada um deles ou a construção das suas características?

Tenho certa facilidade na criação de personagens. Geralmente, eles já surgem “prontos” e parecem até que têm vida própria e acabam ditando seus próprios rumos. Muitas vezes crio um personagem já planejando um final, mas isso acaba mudando com os rumos que o personagem vai seguindo no decorrer da história.

3) Quando começa a história já tem uma noção do final ou vai construindo aos poucos?

Geralmente começo já sabendo o final, mas nem sempre o final de verdade é o mesmo que planejei de início. Na maioria das vezes os personagens criam vida e vão ditando o rumo da história e, quando vejo, acaba de uma forma bem diferente da que eu planejei.

4) Entre os personagens de “OS GUARDIÕES” tem um carinho especial por algum deles?

Amo igualmente todos os meus “filhos”, até mesmo os vilões! Mas sempre brinco dizendo que às vezes a mãe, por mais que ame todos de forma igual, acaba se apegando mais ao filho que dá mais trabalho. Sou assim com meus personagens: acabo tendo um xodó maior pelos que têm as personalidades mais complexas, as histórias de vida mais conturbadas ou os que têm a personalidade mais diferente da minha. Em Guardians, tem vários personagens assim, mas cito sempre duas: Sofie (ironicamente, a personagem mais odiada pelos leitores) e Micaela.

5) Como você administra o contato com os fãs pelas redes sociais?

Tento me organizar o máximo possível para sempre responder todos os recados. Nem sempre é fácil, porque levo uma vida super corrida e raramente tenho tempo livre, então aproveito as brechas entre uma ocupação e outra pra responder todo mundo. Gostaria de ter mais tempo pra isso, pois adoro estar em contato com os leitores. Mas, como tenho uma relação muito próxima e muito sincera com eles, sei que eles compreendem quando acontece de eu demorar ou mesmo deixar de responder em algum momento.

6) É verdade que todo o projeto dos Guardiões começou por meio de um blog? Como foi tudo?

Sim, é verdade. Minha amiga Ana Claudia Coelho – a ilustradora – e eu tínhamos, desde que nos conhecemos, a vontade de fazer algum trabalho juntas. Eu gostava de escrever e ela de desenhar. Então, quando comecei a criar o enredo de Guardians, mostrei e ela curtiu, então decidimos fazer essa história ilustrada e publicar na internet, só de brincadeira mesmo. Como ninguém nos conhecia, achamos o máximo quando um ou outro leitor começou a aparecer. Só que esse público foi aumentando, aumentando... Publicávamos também em comunidades do Orkut e em sites de ‘fanfics’ na categoria ‘fic original’ (que é uma categoria que nem é muito popular nesses sites) e, quando vimos, nossa história estava nos rankings das mais acessadas em boa parte desses sites e era constantemente a preferida do público nas votações das comunidades. Quando terminou a publicação (foram quase três anos postando por volta de um capítulo por mês), nossos leitores começaram a incentivar a publicação impressa da história. Novamente sem maiores pretensões, fizemos a publicação de forma independente. A história, por ter um número muito grande de páginas, teve que ser dividida em três livros para que a publicação fosse financeiramente viável. Os livros foram publicados apenas para este público, que já era leitor da internet. E aí veio a outra grande surpresa quando começamos a atingir um novo público, que não para de crescer.

7) Quando decidiu que queria ser escritora, como optou pelo gênero literário?

Acho que eu não optei rs. Gosto de escrever para o público jovem, mas dentro disso não me prendo a estilos. Tanto que Guardians é uma história de literatura fantástica, com um foco de público mais jovem-adulto, enquanto meu próximo livro – Tenshi – já é uma comédia romântica mais infanto-juvenil.

8) Qual a sua outra ocupação além de ser escritora? O que te motiva nesse ramo?

Sou professora, revisora de texto e estou cursando minha segunda faculdade – Letras Português/Japonês. O que mais me motiva na Literatura sem dúvidas é o carinho dos leitores. Afinal, é pra eles que eu escrevo.

9) Além de livros para o público jovem, gosta de algum estilo específico?

Gosto muito de clássicos brasileiros, drama e suspense. Adoro ficção em geral, e não tenho muito preconceito de gênero literário. Se o enredo for interessante, a narrativa for boa, os personagens cativantes... enfim, se for uma história bem escrita, eu leio independente do gênero. 

10) Qual seu escritor preferido?

Posso citar mais de um? De internacionais: Khaled Hosseini e Dan Brown. De brasileiros: Machado de Assis e Luis Fernando Veríssimo. Curioso o fato de todos eles terem estilos bem diferentes entre si, e bem diferentes do que eu escrevo.

11) E citações, você gosta? Tem alguma preferida?

Ah, confesso que minha memória é meio ruinzinha pra isso! rs São muitos livros! 

12) Por quais razões considera a leitura essencial?

Ler melhora a capacidade de interpretação, amplia o vocabulário, aprimora a nossa gramática, exercita a memória, nos leva pra mil lugares sem sair do lugar, nos faz viver mil vidas, mil sensações diferentes, sem contar que é divertido demais. Eu ainda não conheço nada que seja tão bom para o aprendizado, para a mente, para a saúde e para o lazer humano... tudo isso ao mesmo tempo, e que seja sem contraindicações. 

13) Seus fãs podem esperar novos livros? 

Sim! E já tem um prontinho, só esperando uma editora que o queira rs. Meu próximo livro em parceria com a Ana Claudia Coelho – ilustradora de Guardians – já tem nome, capa, página no skoob... só está esperando pela publicação. “Tenshi – Um anjo sem asas” é uma comédia romântica que segue o mesmo estilo “mangá” de Guardians. 

Quem quiser conhecer pode dar uma conferida na página do livro no skoob e pode apoiar a campanha pela publicação de Tenshi assinando nossa petição online. Quem quiser também pode acompanhar todo o processo de publicação e novidades através da fanpage do livro.


Isabela Lapa e Kellen Pavão – Administradoras do blog Universo dos Leitores, que fala de livros e de tudo que estiver relacionado a estes pequenos pedaços de papel que nos transferem do mundo real para o universo dos sonhos, das palavras e da felicidade!

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