Ingrid Caldas [Fonoaudióloga e Poeta Brasileira]

Ingrid Caldas - nasceu no Rio de Janeiro, formada em Fonoaudiologia, fez alguns cursos de gestão, neurolinguística, e descobriu boa vendedora.

Uma multinacional me contratou através de um amigo e lá fiquei por 9 anos na área comercial. 

Há dois anos mudou para SP por aceitar uma nova proposta/desafio.

E mais uma vez mudei tudo... Acho que gosto de desafios... 

Me sinto em opostos, intensa e serena, tímida e extrovertida, mas sempre muito crítica, principalmente e mais até, de mim mesma. Vejo o mundo de uma forma liberal e pleno de aprendizado. Amo tudo o que tenho: família, amigos, plantas, e até alguns objetos pessoais. Sempre me considerei muito criativa e intuitiva. E aprendi com a idade, ou experiência, que são muito importantes. Perco-me por vezes em devaneios loucos que vão levam longe dentro de mim, talvez querendo ainda mais do que já tenho para conhecer. O bom humor é meu companheiro constante, herança genética acho. E amo demais a vida, uma passagem só de ida que proporciona felicidade e ótimos momentos partilhados.

Desde criança rabiscava e pintava. Minha mãe ainda lembra e guardou alguns "poemas" de infância. Mas escrever mesmo, foi quando vim morar aqui na Terra da Garoa em Junho de 2010. Em Julho comecei o blog como companhia, desabafo, fantasias, e o mais que precisasse em meu novo início de vida. E dali em diante fluiu naturalmente, sem qualquer pretensão que não a de compartilhar sentimentos.

E.x.e.m.p.l.o.s 
Poesia e Contos 

Há quem goste – como eu – do cheiro dos livros, que para mim é reconfortante. Certa vez, por causa da uma forte crise alérgica, perdi a capacidade olfativa… fiquei limitada ao silêncio dos cheiros! Contudo, não sei se pela memória ou por maldições pessoais… o primeiro cheiro a me despertar foi justamente o dos livros.
E, aqui estou eu, em meio a páginas e mais páginas, com esta deliciosa mistura de tinta e papel, linha e agulha, “ouvindo” o som dos cheiros. Alegra-me saber que o resultado de tal combinação insólita é: “perfumes e palavras“, escritos por Ingrid Caldas e por mim editados… 

Livro em Papel couchê 
15 x 21 – 80 páginas – 75grs marfim fosco
2014 – edição única – exemplar no. 03 de 30 




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Vácuo 

Muda, sigo a passos lentos…
A luz escorre pela parede – rasgada - 
em desenhos estranhos que não sinto.
A escuridão assume…

Eu nunca me dispo nas sombras…
Não deixo que envolvam a pele – 
convidativa – abrindo-se ao corte…

Como esquivar-me sem ser ouvida…
Sem parar – lenta – sobre os próprios passos? 
Uma outra boca sussurra –me
o que deve permanecer…

Assim, deserta, tolero o impuro
sorvo seu gosto – agridoce - 
esperando…
 

Algo de luz

Uma história corriqueira
e á estava eu a esperar - coração seco...
Vazia de amar -
mas plena de desejos...

Escorregando por becos escuros
vislumbrando sombras
redemoinhos de folhas secas
remetem à minha pele...

Tenho na minha loucura
um passo de dança
que balança um ventre -
sem vontades...

Sem saber aonde vou
busco a calma - e um som
na luz difusa
de uma lua azulada...

Meu absurdo - interior
leva-me aos abusos
que eu entrego às manhãs
de janelas nuas de luz...



Um cântico 

Longe de mim ventos e ironias
aninharam-se - impiedosamente
rasgando o ventre inquieto
pleno de desejo - velho...

Nos lábios rasgados
nos olhos baços
um cântico me guia
por noites inexploradas...

Profunda melancolia
que envolve qual redemoinho
um coração vazio - a desfalecer...

Nesta melodia incansável
um rodopio entontece
despertando na solidão
o suor e a dança...

É uma certeza que busco
amando o abismo
que minha loucura
impiedosamente impõe... 



Reverso de mim 

Minha boca  - pedaço de ti - grita em agonia,
e a tua memória  corre - desgarrada..
Em um outro dia qualquer, sem medida
como delicadeza de orvalho, o teu amor se vai...
Vejo-me  em uma distância - longa e dolorida -  onde nada cabe,
onde eu te poderia  abraçar com mãos de leveza e lágrima.

Ah, se eu pudesse estar, como ventania, arrastando tua carne
sem delicadeza, sem resistência...
Seriam segredos rasgando a pele, na inconstância do encontro
no atrito de desejos, intransferíveis -  talvez acidentais.

Mas apenas temos um denso e intenso improvável,
onde um fogo crepita ainda – por acidente – presente.
E para além dos passos da saudade
tudo se distancia de mim – inerte – em uma manhã além do olhar.
E virão Invernos de embriaguez, de beijos sussurrados
de telas nuas – a exibirem-se ao encontro não consumado.

Tenho ainda um coração inocente – teimoso
soterrado em silêncio, no próprio mundo do absurdo
onde rabisquei  teus desejos de momentos eternos
na espera  da calmaria da dor... 

Fontes: 


Ingrid Caldas
Todos os direitos autorais reservados a autora.

2 comentários:

Ingrid disse...

gratidão pela lembrança Ivana...
ficou muito lindo!..
Um grande beijo..

MARILÂNDIA MARQUES ROLLO disse...

Pérolas Poéticas, Ingrid! Bjs. e os melhores votos de plenas realizações.
Marilândia