“olha nos meus olhos e diz pra mim...” [daufen bach.]

“olha nos meus olhos e diz pra mim...”

olha nos meus olhos e diz pra mim,
que não percebes mais, neles, olhar sem fim.
que não vês além da retina intumescida 
o brilho incontido de uma paz atrevida
que te confunde e te envolve em lençóis de cetim.
 


olha nos meus olhos e diz pra mim, 
que minha boca de palavras soltas
não serve mais de ninho.
que meus lábios de pecado
não te dão mais carinho
e que não te perturba mais a minha mão
a passear teu corpo em desalinho.
olha nos meus olhos e diz para mim,
que as minhas mãos a levantar os cabelos
e, cheias de zelo, descer tuas costas
_____________e invadir teu vestido,
não te provocam mais arrepios...
que és indiferente ao toque ardente
_______________dos meus dedos. 
olha nos meus olhos e diz pra mim, 
que na cama, aquelas volúpias esmas,
ensimesmadas, perdidas a meia luz do abajur
_______________________________aceso,
não molham mais tuas coxas 
e, teus gemidos e teus desejos,
não revelam mais os gritos e prazer de tua alma.
diz pra mim,
porque se for assim,
esconda os teus olhos e não mire mais os meus!
saia devagarzinho e deixe-me sozinho,
para que meus olhos não se encham de mar com
______________________________o teu adeus. 

[daufen bach.]


daufen bach. Escritor, poeta  e editor da revista literária Biografia. Nasceu no inverno de 1973, numa casinha humilde no pé de uma serra, num lugarejo denominado Romeópolis no município de Ivaiporã, interior do Estado do Paraná-Brasil. É o primeiro filho de uma família agricultora de 6 irmãos. Exerceu durante muito tempo atividades “rudes”. Foi agricultor, peão, carregador de caminhão e servente de pedreiro...  Sempre estudou em escola pública e escreve desde os 12 anos.  Sua obra é amplamente conhecida através meio virtual, alcançando mais de 50 países, tendo, inclusive, textos traduzidos para o espanhol, italiano, búlgaro e francês.

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