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Flip: Maria Teclado é a Maria Chuteira dos escritores [Xico Sá]

Flip: Maria Teclado é a Maria Chuteira dos escritores


Há quem diga que escritor não é uma raça muito chegada em sexo.
Sempre prefere a busca pelo parágrafo perfeito, a metáfora dos sonhos ou um simples bolinho francês que o fará lembrar que ele gosta mesmo é do colo da mamãe -oui, si, sim, ele mesmo, o sacana enrolador chamado Marcel Proust, que levaria boas bifas e palmatórias corretivas do velho Graciliano Ramos, o maior do Brasil, evidentemente filho do Nordeste, das Alagoas, claro.

Há quem diga que escritor não é uma raça muito chegada em sexo. Há controvérsia.

De uma geração para outra até que aparecem um Henry Miller, um velho safado como o Buk etc .

Lenda.

Escritor é como um ser qualquer, apenas um pouquinho mais aviadado, como diria um habitante da Bifaland, a cidade maldita criada pelo Allan Sieber. É bem mais fácil o perôbo do Feliciano curar um gay do que sarar um escriba.
Somente uma autêntica, assumida, linda e perversa Maria Teclado, espécie de Maria Chuteira com pedigree e PhD em letras, dá um jeito no homem que escreve livros.

A Maria Teclado ama tirar a literatura do sério. Chega de solenidade e mãozinha abaitolada no queixo -pose predileta dos autores, como vemos aqui na Flip.

Só a Maria Teclado profissa salva uma festa literária. Seja em Bifaland ou Paraty.

A  Maria Chuteira, coitada, é uma sentimental, uma musa de Carlitos diante de uma Maria Teclado.

Num país que pouco se lê, tem coisa mais bonita? Lobateana, a Maria Teclado sabe que um país se faz com homens e livros. Mesmo que esses homens não sejam lá grandes coisas.

Ela dá um jeito na narrativa mais broxa ou brocha. Para a Maria Chuteira tudo vira romance de capa-espada, uma quixotesca por excelência. Tudo vira um projeto Lázaro: levanta-te!, seja homem.

Sem essa de musa. A Maria Teclado é emancipada no último.

A Maria Teclado que é Maria Teclado não crê em inspiração. Ela é toda trabalhada na transpiração e no sexo antes e depois do capítulo perfeito.
Para um escritor ainda não muito flipável ou conhecido, a maldição literária é a melhor isca para levar uma Maria Teclado à alcova. Vale por uma estante de prêmios jabutis. Pense numa criatura democrática.

Os marginais sabem, como no mantra do Eduardo Cac, um dos marginais da geração 70, que “para curar um amor platônico somente uma trepada homérica.”

Não carece, porém, repito, preocupação alguma com vosso gênero ou estilo. Pasme, até os cronistas, velhos praticantes do caldo-de-cana com pastel de feira da literatura, têm direito a amantes talhadas para o tecladismo.
A Maria Teclado possui um caráter inoxidável. É raro uma MT  amar um mago da autoajuda. Mesmo um mago milionário.

A MT prefere um jovem ficcionista sub-40.  Em literatura é tudo muito tardio, amigo, diferente do mundo das neymarzetes.

Ter uma MT é um luxo sob qualquer ângulo. Para começar, ela é antes de tudo uma leitora. Voraz, estuda o seu alvo, nunca larga um livro antes da vigésima página -se bem que existem  MTs que sabem dar o truque tanto quanto os resenhistas de plantão dos nossos jornalões.

No geral, ressalte-se, a Maria Teclado é uma mulher séria, honesta, lida mesmo, capaz de dizer no ouvido do mancebo parágrafos inteiros dos  livros obscuros dele. Inclusive daquela primeira publicação que o autor renega e abomina. Nestas ocasiões é broxada na certa, deixa quieto, não era esta a intenção da moça.

Um país é feito por homens e livros? Um cacete, discordo, caro Monteiro Lobato. Um país é feito por escritores bêbados e formosas Marias Teclados. Só elas nos salvam do tédio das festas literárias.


Xico Sá é escritor e jornalista, colunista da Folha, autor de “Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha” e mais 10 livros. Na TV, participa do programa “Saia Justa” (GNT).

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